Manifestação: Cidadãos caracterizam Electra de "vergonha nacional"

19-07-2011 23:00

 Como anunciado pela Pró Praia, a manifestação contra a Electra teve lugar no final de tarde de hoje, terça-feira, 19 de Julho. A adesão dos praienses não foi massiva e a organização revela que esperava mais. Contudo vários cidadãos munidos de cartazes e velas protestaram, gritando:"Electra, vergonha nacional". Depois da entrega do manifesto pelo presidente da Pró Praia, resta aos praienses aguardar uma resposta do Governo em relação à normalização da situação da energia eléctrica na capital cabo-verdiana. 




Por volta das 17h30, já algumas centenas de pessoas aguardavam pelo arranque da manifestação convocada pela Associação Cívica para o Desenvolvimento da Praia - Pró Praia. O destino da caravana era o edifício da Electra situado na marginal da Gamboa, bem como o Palácio do Governo para a entrega do manifesto da associação. 

Neste documento de duas páginas, que põe em causa o cumprimento por parte da Electra dos seus deveres contratuais, é possível ler as seguintes exigências: o cumprimento integral (por parte da Electra) do contrato... "que se traduz no fornecimento ininterrupto de energia e água"; o accionamento por parte do Estado de mecanismos necessários para que seja "reposta a qualidade na gestão da empresa"; o assumir por parte do Estado das suas responsabilidades na matéria... incluindo a busca de parcerias com privados, nacionais e estrangeiros - para o regresso à normalidade".

Falando à imprensa, Alcides Oliveira referiu o "grande descontentamento" por parte da população mas explicou que esperava uma maior adesão ao protesto, esclarecendo que o exercício da cidadania continua. O presidente da Pró Praia explicou que a Electra já teve tempo para resolver os problemas e que se está perante uma situação de "gestão interna". Afirmando ainda que "o Governo deve dar uma resposta (à situação) ", Alcides Oliveira comandou a manifestação da Praça Alexandre Albuquerque para o edifício da Electra e depois para o Palácio do Governo.

Munidos de velas e vestidos com camisolas brancas, os praienses saíram à rua."Electra, vergonha nacional", ou então "Nu kre luz, vela dja dá nó". Mostrando-se já fartos da situação dos cortes de energia, os cidadãos exigiram uma resposta imediata: "Nu ka kre konversa, nu kre luz".

Entre frases de contestação e lamentos, a caravana chegou ao Palácio do Governo na Várzea. Os jornalistas e a comitiva da Pró Praia foram admitidos para dentro dos portões do palácio. Para lá do portão ficarão os manifestantes insatisfeitos que subiram o tom das contestações.

Já dentro do palácio, uma comitiva do Gabinete do Primeiro-minitro recebeu os representantes da associação. O chefe de Gabinete, José Maria Veiga Júnior, acompanhado de José Brito, actual conselheiro do PM, recebeu o manifesto e demonstrou o seu contentamento pela forma "cívica e ordeira" como a manifestação foi levada a cabo. Ficou a promessa de que a missiva vai chegar a José Maria Neves. O primeiro-ministro não terá estado presente para receber o manifesto, por alegadamente estar na inauguração da Escola de Hotelaria e Turismo.

À saída, Alcides Oliveira afirmou que a Pró Praia fica a aguardar uma resposta. O representante da associação não quis revelar "deadlines" concretos, além do mais breve possível. Caso a resposta não chegue, "o exercício da cidadania continua", afirma e explica que há "outros meios no âmbito da sociedade democrática". Sem entrar em mais detalhes, Alcides Oliveira dirigiu-se no final aos manifestantes. Agradeceu a presença de todos e pediu que se aguardasse uma resposta do Executivo.

Já quando os manifestantes dispersavam do Palácio, uma pessoa não identificada, possivelmente ligada à manifestação, pegou no microfone da carrinha que acompanhava a manifestação e marcou uma nova convocatória para a próxima sexta-feira, dia 22 de Julho. A pessoa acrescentou ainda que caso o primeiro-ministro não esteja no Palácio do Governo nesse dia, que a manifestação irá rumar à residência do PM na Prainha. 

A sociedade civil aguarda assim uma resposta por parte do Governo ao manifesto entregue hoje, dia 20 de Julho, pela associação Pró Praia ao Gabinete do primeiro-ministro.