Aterro Municipal do Sal vai ter “morte” precoce

16-07-2011 17:39

 

O aterro municipal do Sal, inaugurado há pouco mais de um ano, vai ser encerrado antes do tempo previsto, soube o A Semana. Projectado para receber e tratar os resíduos sólidos do município da ilha mais turística de Cabo Verde, este empreendimento queimou em pouco tempo o seu prazo de validade e só lhe resta mais um ano de vida. O tratamento inapropriado do lixo e a falta de controlo por parte das entidades responsáveis terão causado a “morte” precoce desta infra-estrutura desenhada para resolver o problema do lixo na ilha.

Aterro Municipal do Sal  vai ter “morte” precoce

O projecto era ambicioso. Afinal tratava-se do primeiro aterro municipal a funcionar efectivamente, em todo o território nacional. Além disso, a edilidade esperava resolver um dos maiores problemas dessa ilha turística: os resíduos sólidos. É que a ilha do Sal gera por dia cerca de 22 toneladas de lixo. O empreendimento, que fica em Morrinho de Açúcar, a cerca de 7 km da vila de Espargos, foi inaugurado em Junho de 2010, para dar a resposta certa a um dos mais agressivos ataques ambientais que assola o município. A expectativa era que com essa infra-estrutura o lixo na ilha do Sal teria o destino certo e o tratamento adequado.

Mas não é isso que tem acontecido e o Aterro Municipal do Sal, frustrou o seu objectivo, porque não acontece a separação dos resíduos, nem se lhes dá o tratamento final que se esperava. De acordo com uma fonte do jornal, o aterro municipal apenas tem servido de “depósito de lixo”. Tanto para os camiões da Salimpa, empresa mista que cuida da higiene e da limpeza urbana, como para as instituições várias que pagam para depositar ali os seus resíduos. Estas e aqueles limitam-se a despejar o seu lixo e vão-se embora. E assim fica. “A ideia inicial era que houvesse a separação e que o lixo fosse compactado. Mas nem isso tem acontecido. Como não há controlo, as pessoas que trabalham no local apenas se limitam a enterrá-los”, critica a nossa fonte.

A culpa tem de ser atribuída em especial às empresas, sobretudo as unidades hoteleiras e restaurantes, mas a população em geral não está inocente: todos continuam a deitar lixo orgânico misturado com os sólidos. Na altura da inauguração do aterro, a empresa anunciou o programa “Nós aqui separamos”, para consciencializar os maiores produtores de resíduos sólidos, como hotéis, restaurantes, bares e outros serviços, sobre a necessidade de separarem o lixo. Um projecto que não passou do papel. A ideia de “cada coisa no seu devido lugar” não conquistou os maiores produtores de lixo nem a sociedade salense. Sem essa separação, afirma a nossa fonte, o aterro encheu-se mais rapidamente e “não tem como aguentar mais do que um ano”.

Contactado pelo A Semana, o director de saneamento da Câmara Municipal, e também representante da autarquia na empresa Salimpa, admite que o aterro vai ser encerrado em 2012. E justifica: “O aterro sempre tinha um deadline (prazo) de dois anos caso não fosse cumprido o plano inicial”. Para ter cinco anos de vida, a empresa tinha que adquirir máquinas para triturar o vidro que depois seria introduzido no sector da construção civil. Os metais seriam enviados para uma empresa sediada na Praia, que exporta para a Costa d’África. Na altura a edilidade chegou a anunciar um pré-acordo com essa empresa que exportava ferro-velho. Só que, explica Euclides Gonçalves, tudo foi por água abaixo com o suposto envolvimento do dono da empresa em tráfico internacional de estupefacientes.

Outro projecto da autarquia que ia ajudar muito no tratamento dos resíduos sólidos é aquele que ia espalhar ecopontos pela ilha. Esta medida tinha como objectivo fazer com que os moradores aprendessem a separar o lixo sólido e a depositar cada tipo de lixo no seu devido lugar. Mas tirando o do Liceu Olavo Moniz, nenhum outro ecoponto foi lançado na ilha.

Refira-se que o Aterro Sanitário Municipal consumiu cerca de 15 mil contos na sua construção, com a garantia de que ia receber e tratar 16 mil m3 de lixo. Entretanto esta é a primeira célula do aterro. No próximo ano, conforme avança Euclides Gonçalves, uma outra célula, mesmo ao lado da actual deve ser aberta, até que a autarquia monte um outro sistema de recolha e tratamento dos resíduos sólidos.